O castelo de Curutelo
Monumento de muitas eras, o mais antigo monumento histórico da freguesia cuja sua história inicial remonta a Alarico II, 8º rei visigodo que reinou de 485 a 507. A historiografia mais recente atribuia a fundação oficial do castelo de Curutelo (a muralha para ser mais exacto) ao ano 800, mas investigações muito recentes fazem remontar a sua antiguidade ao reinado de Alarico II como dito mais acima.
Já expliquei isto diversas vezes, inclusive no livro "Fronteiras do Poder - de Paçô a Freixo (S. Julião de)", mas nunca é demais relembrá-lo; a primeira construção que houve ali no local foi a muralha defensiva, provavelmente com casa incluída dentro da sua cintura interna. Depois, a partir do ano 1000 a torre e entre o final do século XV e princípios do XVI o paço acastelado propriamente dito, ainda sem as portas e janelas que só lá foram colocadas por volta do ano 1870. A única porta de acesso ao castelo era a primitiva da torre. Brevemente haverá outro livro intitulado "A Nobreza do Concelho de Ponte de Lima - Alianças, Estratégias e Representações" que falará com mais pormenor neste assunto. O livro não aborda apenas o castelo de Curutelo, mas também uma série de casas senhoriais do concelho de Ponte de Lima.
Vista do castelo do lado Poente
A estirpe dos Curutelos era uma família de muitas posses, era, digamos assim, a elite da terra fazendo parte da pequena-média nobreza. Foram cavaleiros de linhagem, ou seja, fizeram parte dos exércitos dos nosso reis medievais. D. Simão Nunes de Curutelo, o primeiro a usar o apelido Curutelo fez parte dos exércitos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I; os seus netos D. Fernão Martins de Curutelo e D. Estevão Martins de Curutelo foram também cavaleiros de linhagem. O primeiro serviu os reis D. Sancho II e D. Afonso III, foi freire de Santiago e teve muitas propriedades pelo país, em Santarém, Alandroal, Talaveira, Terena, Silves, Portel e Condeixa. O segundo serviu os reis D. Afonso III, D. Dinis e o rei castelhano D. Afonso X, tendo sido também freire de Santiago. Estamos a falar de um período de tempo que se estende desde o ano 1180 a 1300, aproximadamente. Mas houveram outros elementos desta família que também foram cavaleiros de linhagem. Remeto as restantes informações para o livro acima falado a publicar brevemente.
Entrada mistério no castelo
Na foto imediatamente acima vemos uma entrada misteriosa que segue pelas paredes dentro do castelo até cerca de 2 metros, estando tapada a essa distância. Provavelmente, tratava-se de uma antiga porta que depois foi eliminada com as sucessivas obras de restauro que o castelo sofreu.
Retomando a linhagem Curutelo, refira-se que o último a usar o apelido Curutelo foi D. Nuno Viegas de Curutelo, que viveu entre 1350 e 1410. Este último esteve na batalha de Aljubarrota onde foi armado cavaleiro por D. João I. Foi depois agraciado com uma série de terras e propriedades que fizeram dele um dos mais poderosos senhores da nossa região. Houveram outros Curutelos em diversas zonas do país, mas ainda não se consegue ligá-los às linhagens originais por falta de dados palpáveis, mas é mais do que provável que descendam de Fernão e Estevão Martins de Curutelo, que andaram pelo Alentejo e pelo Algarve nos episódios da Reconquista.
Primitiva entrada do Castelo (hoje desactivada), que à época era a única entrada do edifício
No próximo post vamos conhecer um pouco o interior do castelo e a capela de S. Amaro que lhe fica adjacente.


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