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A torre de Curutelo

 Como vimos no post anterior o primeiro elemento do paço de Curutelo foi a muralha com a casa fortificada, construção de meados do século VIII a inícios do século IX. Relativamente à torre,  segundo elemento do paço de Curutelo, não é tarefa simples atribuir-lhe uma cronologia precisa. Paira a dúvida se antes desta actual torre não teria existido uma torre primitiva. Diz-se em diversas fontes que a construção da torre é do ano 1000 [ver nota 1] por existir nas fundações da mesma uma pedra com o ano 1000 gravada em caracteres romano-góticos. Pura fantasia pois a pedra com essa inscrição, já por mim vista e analisada diversas vezes, nada tem a ver com o ano 1000. É uma simples inscrição, junto de outras, das quais se desconhece os seus reais sentidos. A torre de Curutelo é de estilo petro-fernandina, ou seja, construção de meados do século XIV. É muito provável que antes desta actual torre tivesse existido uma primitiva, como já frisado mais atrás, construída entre o final do sé...

As origens míticas da Casa de Curutelo

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  Casa de Curutelo As origens: Esta casa é antiga, muito certamente uma das mais antigas do espaço limiano, no entanto, a sua história é mal conhecida apesar de ter muito para contar. Segundo a tradição, as origens míticas desta casa estão fundadas em relatos que de modo algum podem ser provados, pois não existem documentos, pelo menos conhecidos, que possam confirmar tais origens. Para além do facto de muitos genealogistas dos séculos XVIII e XIX terem "romantizado" certas linhagens familiares. O mito em si, não é refutável, apenas se pode concordar com ele ou não. Estando a origem de qualquer mito fundada para além do espaço e tempo normais, o mito reporta-se não apenas ao que aconteceu, mas também, ao que poderá acontecer. As origens míticas desta casa dizem que a primitiva ocupação do sítio se iniciou com Alarico II (viveu entre 458 e 507) [ver nota 1]

Senhores da Quinta da Devesa - Reis Maia, uma família desconcertante.

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 A quinta da Devesa é bastante antiga, as Inquirições de 1258 já lhe fazem referência. Várias famílias tiveram a posse da mesma ao longo dos séculos. Mas vamos falar aqui da família que a possuiu a partir do ano 1920, a família Reis Maia. Houve o Reis Maia pai, de que ninguém da nossa época actual se lembra e o Reis Maia filho, este sim, bastante conhecido e falado pelas gerações actuais de 70 anos para cima. José Marques Barbosa dos Reis Maia (o pai), nasceu em Vila de Punhe no dia 4 de outubro de 1885 e faleceu no Porto na rua de Costa Cabral, onde residia nos seus últimos anos de vida e onde tinha escritório de advocacia, no dia 28 de fevereiro de 1935. Era filho de Domingos Afonso dos Reis Maia, natural de Vila de Punhe, carpinteiro de profissão, e de Maria Marques Barbosa natural de Alvarães.        Casou em Lovaina na Bélgica, com Berta Meunier, nascida a 7 de janeiro de 1888 em Nodebais, Brabant-Valon, diocese de Malines, filha de de Felicien Meunier e de...

Os marcos quinhentistas da freguesia.

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 Durante uma boa parte do século XVI, especialmente, nos inícios desse século entre 1500 e 1532, o castelo de Curutelo esteve na posse do duque D. Jaime IV sobrinho do rei português D. Manuel I. Este processo teve a ver com o final da dinastia dos Gomes de Abreu, cujo último senhor efectivo, D. Pedro Gomes de Abreu, o chamado 5º morgado de Coucieiro (e de Curutelo), teve várias pendências em tribunal pelos muitos crimes que cometeu. Como tal, foi obrigado a avultados gastos e uma das formas para fazer face aos mesmos foi alienar o castelo de Curutelo ao duque D. Jaime.  Marco existente na mata de S. Cristóvão, um dos mais de 24 marcos (hoje só existem cerca de 15) que delimitavam as propriedades e terrenos do castelo de Curutelo, terrenos esses que se espalhavam pelas freguesias de Ardegão, Cossourado (pela via da mata de S. Cristóvão), Poiares, por parte do vale de Paçô até chegar a Navió. Se repararem o marco tem uma letra "B", que corresponde à inicial da casa de Bragança,...

Rabiões - o mais belo caminho de Freixo

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 Hoje vamos ver aqui umas fotos espectaculares do mais belo caminho aqui da freguesia. É uma antiga via romana onde é visível em diversos pontos calçada romana. Segundo Almeida Fernandes, o grande especialista português em toponímia e arqueologia, o nome origina-se de «Rabilani» , uma antiga vila romana.  Refira-se que uma «Vila romana» significava algo de diferente relativamente aos dias de hoje, era mais um núcleo habitacional concentrado e mais ou menos independente agrícola e economicamente. Na foto anterior podemos ver na perfeição a beleza deste caminho, o arredondado dos muros, a calçada romana, a sua sinuosidade e a ausência de frequência humana. Este caminho deve ter mais de 2000 anos de existência, é uma das vias primitivas mais antigas da freguesia juntamente com a primitiva via que ligava Paçô às Barreiras, via Portal de S. João. Por ali ainda são visíveis restos de construções, artefactos arqueológicos muito destruídos e alguns campos agrícolas hoje transformados...

Gigantes de pedra vigiam silenciosos a freguesia.

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 Penso que o que vou dizer não será propriamente uma novidade, mas esta freguesia está cheia de artefactos arqueológicos, de indícios e evidências de construções antigas, umas mais do que outras, claro, mas a antiguidade é patente um pouco por todo o lado.  Veja-se o caso das fotos que seguem: O que vemos aqui é uma estrutura em pedra de um antigo moinho; na 1ª e na última fotos o pormenor da caleira em pedra para conduzir a água, na 2ª foto uma espécie de poço com aduelas em pedra para receber a água que depois faria girar as mós. Esta estrutura em aduelas de pedra tem mais de 3 metros de altura, é colossal, um verdadeiro gigante de pedra "petrificado". Refira-se que este moinho tinha casa anexa e , muito provavelmente, funcionou também como lagar de azeite.  É uma pena património deste estar ao abandono, este moinho situa-se na linha da tal «Rota dos Moinhos» onde existem cerca de 15 moinhos entre Armel e Cabo de Vila. O que não se poderia fazer com uma rota destas bem ...

Revisitando os castros de S. Cristóvão

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 Já aqui falei neste blog sobre o castro, ou melhor, os castros de S. Cristóvão, porque são vários na realidade espalhados em diversas zonas da mata. Penso que nunca é demais retomar o tema, considerando a sua extrema antiguidade e importância arqueológica, mesmo e apesar da abundante destruição dos mesmos, reconhecida por especialistas sobre o tema como, Tarcísio Maciel natural de Durrães e um dos mais renomados especialistas do Vale do Neiva, Brochado de Almeida um dos maiores e mais notáveis investigadores na área arqueológica em todo o país. Foi, aliás, este último senhor que dirigiu os últimos grandes trabalhos de escavação realizados no monte de S. Cristóvão no ano de 1996, que só não tiveram continuação porque os «fundamentalistas religiosos», " aqueles que apenas pensam em dobrar os joelhos e levantar as mãos em preces descabidas ", estavam preocupados pelo facto "dos santos começarem a ficar chateados e cansados de toda a investigação". Assim também como pe...